Terça-feira, Fevereiro 9

Nosso Filme


Se passar o nosso filme
Nem se preocupe em assistir
Veja as nossas fotografias
Ou lembre nossa cama de faquir.

Não ligue pra bilheteria
Deixe-a insistir
Se a saudade for tanta
Você já sabe como é:
Todo domingo de chuva
Oferece uma outra matiné!

Deixe o rolo correr
Só no cinema
Que a paixão faz morrer.

Disfarça e se levanta
Mas só nos piores momentos:
Aqueles que te fazem lembrar.

Converse com o baleiro,
Sorria prô lanterninha
Mas voltes a tempo de ver
Escrito num fundo branco
Lá no meio dos créditos
Que a dor é minha!

Sexta-feira, Janeiro 29

Cria


O homem com o tempo crê
Que tudo se transforma e nada se cria
Pois quase tudo que há, igual ou parecido há tempos havia.

Cria-se apenas novas formas há tempo no mundo
E tudo que há tempo o homem transforma
Forma com o tempo uma nova forma de homem
No mundo.

Que em tudo crê e nada cria.
Somente a sua nova cria quando ele procria
E que irá acabar com o tempo com o mundo

E se o homem não dá tempo ao mundo
O mundo não tem tempo
Para dar tempo ao mundo do homem.

Como a água que o homem consome
O mundo com o tempo com o homem some,
Pois o tempo que some com tudo
contudo também com ele e ela consome.

Só o que não some é a fome
E a fome que não some
é a fome que consome
O homem.

Quarta-feira, Janeiro 27

BICHO-HOMEM


Estou no conforto de minha cama
Escuto sussurros ou grunhidos.
Às vezes parece até ser palavras
Conhecidas de meus ouvidos.

Abro a janela e vejo lá no lixo
Um animal procurando alimento
Em meio a todos os dejetos
E fico com meus olhos fixos.

Não é de medo, é de vergonha,
Ele come o que eu não quis comer
E sem parcimônia.

Penso nos animais protegidos
Por ONGS e por inúmeras leis
E me pergunto: quando chegará
Desse animal, afinal a sua vez?

O homem quer preservar o mundo
O macaco, a baleia e o tucano
Porque então quer preservar
Como quase bicho esse ser humano?

Se for humano, pensa! logo: entende
E então da escravidão se defende
_Portanto deixe-o só na rua
Que o sistema se perpetua.

Pelo menos este não terá a extinção
Pois enquanto houver o dinheiro,
A fome e o desespero, haverá
a perpetuação de toda a escravidão.

Terça-feira, Janeiro 26

Idade da Pedra


Não vai ter muita história
O menino criado pela escória
Será esquecido esse menino
Por seu povo sem memória.

O menino tem pouca escolha
Se não vai a escola
Tem muita arma e bala
Prô menino que não joga bola.

Para o menino nada medra
Se vive só para a pedra
E por viver só na tolice
Não viverá a sua velhice.

E eu espectador impotente
Ofereço com dó e medo
Sem fazer sequer uma rima
Só o pouco que tenho:
Minha lágrima!

Quinta-feira, Janeiro 21

De repente me vi saci


De repente me vi saci, me roubaram a perna, e justamente a direita, aquela que domino melhor. Roubaram é forma de dizer é lógico, ela ainda ta ali, eu a posso ver ou para ser mais exato, posso ver os dedos do pé – ta bom, eu sei o nome certo é artelhos, mas fica como dedos mesmo, é assim que todo mundo chama – e um monte de bandagens e esparadrapos, que chamaram de tala, onde eu deveria ver a perna.
Perder uma perna assim não chega ser o fim do mundo. O problema é que foi no dia primeiro de 2010, apenas dois anos antes do fim do mundo. E além do mais agora terei de começar o ano com o pé esquerdo. Claro que não sou supersticioso e nem acredito em “previsões Maias ou seja lá de onde venham” - a única previsão que acredito é a do dono do bar, quando ele diz: Ta gente! Essa é a saideira mesmo! Quando ele fala isso eu sei que é sério e será a saideira mesmo – mas, não vale a pena arriscar...
Perder uma perna assim é ruim também porque ficamos muito dependentes. Existe inúmeras coisas que não se pode fazer sozinho só com uma perna, e isso me aborrece, não que eu não seja preguiçoso, porque isso eu sou e até com um certo orgulho, não consigo ver muita inteligência em quem gosta de trabalhar o tempo todo.
Não é que eu seja orgulhoso e não queira a ajuda dos outros, a ajuda dos outros é sempre bem vinda, mas prefiro fazer as minhas coisas eu mesmo.
Perder uma perna assim é ruim porque perdemos a facilidade de locomoção. Pra ir da cama até o banheiro é uma dificuldade, até a geladeira então... Isso sem falar na manobra de guerra para se tomar banho...
Mas o pior em perder a perna é que junto com a perda dela vem o antiinflamatório e aí adeus cerveja. É um absurdo... O homem viaja pelo espaço, desvenda o seu próprio código genético, cura inúmeras enfermidades, mas não consegue fazer um antiinflamatório que se possa ou “deva-se” tomar com cerveja.
Depois querem se dizer seres superiores, racionais, inteligentes, feitos a imagem Dele e coisa e tal.

Sexta-feira, Janeiro 15

LONGAS CONVERSA - HERMES AQUINO



São tantas as horas que eu passo sozinho
Que eu fico pensando que eu sou uma ilha
Perdido no oceano sem sonhos nem planos
De dores e prantos já tenho uma pilha.

São tantas as noites
Que eu deito e não durmo
Que eu choro baixinho pensando em te ver
Parado na porta seguro essa barra
Sem eira nem beira me resta viver.

Já não precisas mais voltar
Pois na sua volta quase nada vais achar
Já não preciso de você
Me fiz poeta inspirado no sofrer.

As longas conversas não servem prá nada
Não cabem na boca palavras vazias
E eu fico calado contando carneiros
Olhando no espelho as noites e os dias.

Já não desespero, me ajeito sem jeito
Me pego pensando que a vida é só isso
O som da cidade me nana e me mata
Sou caso perdido vegeto sem viço.

Já não precisas mais voltar
Pois na sua volta quase nada vais achar
Já não preciso de você
Me fiz poeta inspirado no sofrer.

Já não precisas mais voltar
Pois na sua volta quase nada vais achar
Já não preciso de você
Me fiz poeta inspirado no sofrer.

Sábado, Janeiro 9

FÉRIAS FORÇADAS

VOLTO LOGO

Quinta-feira, Dezembro 31


Lá se vai o velho
Não surrado, apenas bem vivido
E bota bem nisso: Que bom!
Não tive tempo de contar quantas cervejas tomei
Não sei quantas horas de sono perdi
e nem quantas horas de festa vivi.
Foi um ano bom para o churrasco
Aqueles de manhã cedo feito de improviso
depois de uma noite de festa.
Não deu muito dinheiro
Mas, dinheiro não é tudo...
- mas podia ter tido um pouquinho mais -
Não fosse o fiado...

Lá se vai o velho
Não vai tarde não.
podia ficar um pouquinho mais
não para prolongar meus 45
Mas porque ele foi muito bom...
Revi amigos que a muito não via
estreitei amizades com pessoas que mal conhecia
e conheci pessoas que realmente fazem diferença em minha vida.

Apesar de não viver grudado em minha família
Amo-os e vão todos bem.
Não consegui fazer de meu filho meu espelho
- e nem tentei -
E mesmo ele não fazendo o que acho que ele deve fazer
- ainda bem, se os filhos só fizessem o que os pais querem
ainda viveriamos nas cavernas -
Cada vez sinto mais orgulho dele.
- Claro sempre tem uma bronquinha. -
Mas o amo mais que tudo.

Lá se vai o velho...
então para todos vocês meus queridos e queridas
UM FELIZ ANO NOVO, MUITA PAZ, AMOR, SAÚDE E FELICIDADE.
- o resto se corre atrás -
Um beijão a todas e a todos
Até para aqueles chatos que tentaram
encher meu saco.

PS. Para os de vida triste que cuidam de minha vida, não desanimem, vou continuar acertando e fazendo merda... mas feliz!

Quarta-feira, Dezembro 23

O blog está jogado as traças a dias, ou semanas quem sabe!
Não desisti! É que nos últimos dias estou envolvido na troca de local de trabalho.
Já estou instalado novamente, mas ainda tem aquela briga para a instalação dos telefones e liberação da internet. Estou louco de saudade de postar algo. Mas não tenho conseguido por falta de tempo e de condições técnicas, pois além da falta de meios – claro que existe lanhouses e PCs de amigos – quando chega o fim de ano é a hora de “desovar” aquele monte de trabalho que está pendente e que não queremos deixar para o ano que vem.
Mas se não conseguir postar nada antes do natal, já estou desejando um Feliz Natal a todos!
Não só aos seguidores e aqueles que me visitam de vez em quando, mas a todos os amigos do dia-a-dia e aos virtuais.
Que tenham um maravilhoso Natal de muita alegria entre os seus.
E aproveito esse post para dizer a minha querida amiga Déia que mesmo com sua lastimável perda, a vida continua e é bela, e não só eu, mas também todos os teus fiéis amigos estamos aqui de braços e corações abertos para lhe dar a força necessária que tu mereces.
FELIZ NATAL A TODOS!

Pequenas Crônicas de Pequenas Pessoas de Pequenas Cidades - 12

Diziam que os antecessores haviam gastado muito e agora estavam só pagando as contas deles.
Começaram a fazer eventos ridículos, que não eram nem ao menos parecidos com os anteriores.
Não sabiam eles que se não podem fazer algo igual ou melhor, é melhor, não fazer e se preparar para fazer algo igual ou muito melhor no ano seguinte.
E o pior é que muitos já conheciam aquela estória de “dois passos atrás e um à frente” de Lênin.

Pequenas Crônicas de Pequenas Pessoas de Pequenas Cidades - 11


Chegou o final de ano e agora a concorrência iria pegar fogo.
Para aumentar as vendas ele teve a infeliz idéia de contratar pessoas (tra)vestidas de palhaço que não tem graça nenhuma e colocou uma caixa de som a todo volume incomodando não só os visinhos mas aos possíveis clientes, achando que com toda essa palhaçada iria vender mais.

Quarta-feira, Dezembro 9

Neste Natal


Neste natal eu vou pedir você pra mim
Até já limpei a lareira, a chaminé
Comprei uma meia maior que o pé
Só pra você caber, sabe como é!

Eu já falei com o bom velhinho
Por todo o ano me comportei
Não fiz mal, nem beijo roubei,
neste natal eu te ganho eu sei!

Não precisa nem vir embrulhada
Podem até esquecer de tirar a etiqueta
Que eu quero é te virar do avesso
E pago qual for o preço, nem esquenta!

Sexta-feira, Dezembro 4

Algo que faltava


Veja só que coisa estranha
Eu ontem lembrei de você
Não foi recordando histórias
Nem olhando fotografias.

Estava só no meu quarto
E alguma coisa me incomodava
Não me deixando dormir;
Não era algo que havia
Mas sim, algo que faltava.

A solidão de minha estante
sem bibelôs e superstições
A minha comida insossa
sem teu gostoso tempero.
E a pele nua das paredes
Fizeram-me lembrar de um vazio.

E ainda hoje sinto um arrepio;
Ao ver que em meu travesseiro
Ainda tem o teu cheiro.

Quinta-feira, Dezembro 3

Ter


Todo louco tem o seu cachorro
E todo cachorro as suas pulgas
Todo namorado tem um endereço
E certos dias, tem as suas fugas.

Todo cego tem a sua bengala
O que não vê, compensa o ouvido;
Mas é igual a todos os outros
Pois todos têm no centro um umbigo.

Quem casa quer ter a sua casa
Quem ri tem sempre sua risada
E mesmo quando é mal contada
A piada tem uma parte engraçada.

Todo passarinho nasce no seu ninho
Todo réu tem um discurso inocente
Todo jacaré tem um amigo passarinho
E o banguela tem uma boca sem dente.

Todo pé torto tem o seu chinelo torto
Todo careca tem saudade do seu pente
Todo navio que parte deixa o seu porto
Todo atirador de faca têm a sua assistente.

Todos têm
Algo que os outros também tem
O pobre tem fome, e o rico às vezes também.

Alguns têm
Algo que os outros nunca terão
O rico tem pão e o pobre: NÃO.

Quarta-feira, Dezembro 2

Continho Miudinho 3


Eles não se preocuparam nem um pouquinho com o problema do pobre astronauta.
Disseram que não tinha nenhuma gravidade.