" O homem está condenado à liberdade " Jean-Paul Sartre. - Quer ficar por dentro do que realmente rola na política, esqueça a ZH e a RBS e vá nos "blogs obrigatórios" logo ali ao lado e abaixo
quinta-feira, janeiro 24
terça-feira, janeiro 22
PERDA
Seu Getúlio
empurrou o prato em silêncio e foi sentar-se também no mesmo silêncio no
surrado sofá em frente à televisão. Procurou uma partida de futebol qualquer, e
não achando ficou assistindo – ou quase... apenas olhava para a frente em
direção ao vídeo sem ver nada – o final do capitulo de alguma novela. D. Esther
recolheu os dois pratos sujos com os restos do jantar e o da filha que estava
limpo como sempre estava desde o dia em que eles a perderam.
Depositou os
sujos no fundo da cuba da pia e guardou o limpo como de costume. D. Esther
sabia que o terceiro prato nunca mais seria usado, mas mesmo assim sempre o
colocava na mesa, como fazia antes de perder sua filha.
Lavou os dois pratos
pensando como seria bom se tivesse três para lavar! O trabalho seria maior, mas
ao menos a filha ainda estaria entre eles! Assim que terminou com o segundo,
ficou estática a olhar para os pequenos pingos de água que escorriam do prato e
fugiam em direção ao ralo e, junto com os pingos de água fugiam também os
pingos de lágrimas de seus cansados e sofridos olhos, assim como a filha fugira
de suas vidas!
Mesmo o
terceiro prato estando limpo, ela o pegou de dentro do armário e colocou
embaixo da água que escorria da torneira e o lavou como se preciso fosse. Não
era necessário, mas pouco importava, pois ao lavar o terceiro prato há muito
não usado, dava-lhe a sensação de que ele também havia sido usado. Enganava-se
conscientemente.
Seu Getúlio
desviou os olhos que nada viam para ver a atitude que a pobre esposa toda noite
fazia. Pensou em mandar ela para de fazer aquilo, mas não o fez! Voltou os seus
olhos para continuar a não ver o que antes não estava vendo! Esperava que um
dia a esposa fosse se conformar e parar de fingir que não havia perdido – assim
como ele - a filha.
Após secar os
pratos e os olhos, também sentou-se ao lado do marido em frente a TV e ficou
também perdida sem nada ver. Para eles só havia um imenso vácuo que não
permitia a eles verem nada, a não ser a falta de sua filha.
Ficariam assim
os dois vendo o nada até o momento em que se retirariam para o quarto para
dormirem junto com seus pesadelos, não fosse o zumbido da campainha que os
acordou daquele sonho acordado.
A campainha
feriu não só os ouvidos, mas também o coração de D. Esther! Seu Getúlio baixou
o som da TV e dirigiu-se lentamente para a porta, como um gado que vai para o
matadouro.
Seu Getúlio
abriu a porta já sabendo quem veria! Na varanda, bem abaixo do velho lustre que
ele havia instalado anos antes, estava Cleumar com seu gorro preto de sempre e
uma jaqueta de couro surrada e totalmente aberta, que deixava aparecer na linha
da cintura uma pistola calibre 6.5mm.
_ A Solânge? –
falou Cleumar como se não houvesse ninguém a sua frente -. Cleumar estava
foragido e desde então comandava o tráfico de drogas no bairro onde eles
moravam.
_ Solânge!...
– Gritou o pai virando de costas e deixando a porta aberta. Foi sentar para
novamente continuar a não ver o que passava na TV. Solânge surgiu correndo
dentro de uma mini-saia que mal lhe cabia e jogou-se ao pescoço de Cleumar.
Beijou melosamente os grossos lábios dele e já ia fechando a porta quando D.
Esther falou com uma voz débil:
_ Solânge... Leva
um casaquinho minha filha! Tá frio!
_ Não encha o
saco mãe! – respondeu ao fechar bruscamente a porta.
Seu Getúlio
desligou a TV e foi dormir, D. Esther ainda ficou alguns minutos chorando em
frente à TV desligada...Ela não conseguia se acostumar com a ideia de que havia
perdido Solânge, sua única filha!
sexta-feira, janeiro 11
quarta-feira, dezembro 19
Na Repartição
Aguiar
trabalhava no setor de alvarás, com ele tinha mais quatro. Dois homens e duas
mulheres. Teixeira, que era o chefe, um bonachão dos seus sessenta anos e muito
divertido que comandava o setor. Zeca, rapaz bonito e tido como sedutor e as
duas cobiçadas mulheres do “setor de alvarás”, Mila e Milene, não eram irmãs,
nem ao menos tinham parentescos. Mila era uma loira do tipo assanhada e
apetitosa e que tinha tido casos com vários influentes na prefeitura, já Milene
era morena, mais recatada e além de apetitosa era o tipo “mulher de fazer
qualquer homem largar a família”. Havia quem contasse que já estivera na área –
principalmente o Zeca que afirmava que atuava a muito por ali -, mas prova
disso ninguém tinha.
Aguiar
destoava do time. Era tímido e quieto. Ao simples fato de falar com uma mulher,
suas bochechas ficavam afogueadas e sua voz quase sumia. Aguiar era solteiro e
– conforme todos falavam – nunca fora visto com uma mulher – claro que sua mãe
e irmã não contavam –. Era do trabalho para a casa, da casa para o trabalho.
Zeca vivia
folgando – com o apoio velado de Teixeira - no coitado do Aguiar. Se alguém
seria sacaneado, Aguiar era sempre a primeira vitima! Trabalho extra: era prô
Aguiar! Contribuinte chato: Aguiar! Fazer café: Aguiar! Se a gozação fosse
sobre masculinidade – ou melhor: a falta dela - ou então “pagar vale” com
mulher: Lógico! Aguiar!
Aguiar sofria
em silêncio e sempre com um disfarçado sorriso entristecido. Em seus sonhos ele
se via contando piadas picantes e engraçadas como o Seu Teixeira, ganhando
mulheres como o Zeca, transando com Mila no banheiro do setor ou namorando
Milene. Mas isso não era para ele – já havia se conformado -, e ia levando sua
vida besta e tristonha entre gozações e humilhações.
Eis que chega
um determinado “Dia dos Namorados” e surge na fila do ponto um Aguiar bem
penteado e de roupa nova. Na mão direita o cartão para registrar a entrada e na
esquerda um embrulho de presentes de um vermelho igual as suas bochechas
envergonhadas com um laço rosa exuberante como poucos haviam vistos. Reinou um
silêncio tumular. Todos esqueceram os gol’s do último jogo, as piadas
costumeiras, as fofocas da política e os últimos capítulos das novelas. A
atenção de todos estava focada na imagem de Aguiar e seu embrulho vermelho com
seu laço rosa.
Aguiar bateu o
ponto e foi para o setor de alvarás. Depositou com cuidado o embrulho na sua
mesa e sentou para trabalhar. Os companheiros de trabalho não falavam nada,
olhavam de soslaio para o Aguiar e seu embrulho. Não fosse a intervenção de
Teixeira ninguém trabalharia aquele dia.
Aguiar
trabalhava quieto como sempre. Tudo estaria igual aos demais dias, não fosse o
fato de ninguém se atrever a se divertir com a cara do coitado como sempre
faziam.
Pessoal de
outros setores encontravam motivos para irem ao setor de Aguiar para dar uma olhada
nele e seu embrulho. Todos pensavam: se Aguiar nunca teve namorada – e todos
tinham a certeza que ele devia até ser virgem, virgem até de beijo -, para quem
ele comprara aquele presente justamente no Dia dos Namorados?
Aguiar virou o
assunto do dia na prefeitura inteira, até o Prefeito ficou sabendo do
acontecido, visto que, até ele passou pelo setor de alvarás naquele dia.
Deu meio-dia e
todos saíram para o almoço, mas ninguém pensava em fome, o único pensamento
era: Quem seria a pessoa que iria receber aquele presente!
Zeca não se
conteve e antes que Aguiar fosse para o almoço perguntou:
_ Então
Aguiar, vai dar um presente hoje?
_ Sim! –
respondeu simplesmente ele.
_ E quem é a
felizarda? – não teve como não perguntar.
_ Ué! Hoje é Dia
dos namorados...! – respondeu mais rápido que o sangue que subiu por suas
bochechas. Aguiar desligou o PC e saiu para o almoço. Todos que de longe
olhavam a cena correram para saber da novidade que Zeca por certo teria para
contar!
_ Para sua
namorada! – Ele respondeu ao grupo que esperavam ansiosamente a resposta. Foi
um burburinho só. Mas como? Então o Aguiar tem alguém?
Todos saíram
para o almoço, menos Zeca que não se conformava. Então aquele panaca, aquele
bobão quase retardado, aquele alienígena social não era o que eles pensavam.
Zeca começou a sentir remorso pelos anos a fio em que troçou de Aguiar.
_ Eu achando
que o cara era um trouxa completo e não era isso! – se culpava. Pensou em
correr ao encontro de Aguiar e se desculpar, e quase o fez, não fosse sua curiosidade
maior que a sua culpa.
Zeca olhou para
os lados, não havia ninguém. Aproximou-se da mesa de Aguiar e pegou o embrulho
vermelho. Correu para o banheiro e sem pensar em nada a não ser em sua
curiosidade rasgou o laço e o papel vermelho. Tinha agora em suas mãos uma
caixa, abriu e de seu interior tirou uma calça jeans... Uma calça jeans
masculina.
_ Mas então o
Aguiar realmente é... realmente é gay! – Um contentamento tomou conta de Zeca.
Não! Ele não tinha feito nenhuma injustiça – pensava -, o cara era mesmo.
Tentou recompor o embrulho, mas não teve como, o papel e o laço estavam
totalmente danificados. A princípio ficou apavorado, mas aos poucos sua má índole
o encorajou a devolver o presente assim mesmo na mesa de Aguiar.
Zeca correu
para o restaurante onde sempre almoçava e tratou de propagar a sua descoberta: _Aguiar
é gay! Comprou um presente pro seu namorado, ele mesmo o dissera! A novidade correu
como rastilho de pólvora.
Aguiar voltou
do almoço e encontrou o embrulho todo desfeito sobre sua mesa. Aquele rubor que
lhe era característico tomou conta de sua face. Sentou calado e calado ficou.
Nada sentia. Nada via.
Passado o
choque ele começou a notar as pessoas espiando, cochichando, falando, rindo e
apontando os dedos ou os olhares em sua direção. Mesmo envergonhado e ultrajado
tentou passar o resto do turno de forma normal.
Pelos setores
e corredores da prefeitura, e até fora dela, o assunto era o mesmo: Aguair,
aquele estranho comprou uma calça jeans para dar ao seu namorado. Ele tentou
ficar alheio é verdade, mas não conseguiu. Quando o zum-zum-zum chegou ao seu
conhecimento ele caiu num choro tremendo de se ouvir os soluços até nas salas mais
distantes.
Milene, que de
longe olhava piedosa o pobre Aguiar, levantou-se e foi resoluta em direção à
mesa do coitado. Junto com seu corpo foram todos os olhares masculinos
desejosos e os femininos invejosos. Lá no meio das “rapinas do sofrimento
alheio” alguém falou sem muita convicção: Será que a Milena é a namorada de
Aguiar?. Alguns cogitaram a idéia, outros nem deram ouvidos.
_ Aguiar! –
falou Milene ao sentar-se bem ao lado do choroso Aguiar – Não fica assim! Eles
são uns imbecis! Eu te entendo e sei que tu não deves se envergonhar. – Aguiar
represou a custo o choro.
_ Mas agora
eles terão motivos de sobra pra gozar de mim!
_ Que nada!
Enfrente-os com dignidade!
_ Mas como?
Serei motivo de chacota pro resto da vida...
_ Que nada!
Quer saber de uma coisa! Tu terás em mim uma grande aliada!
_ Como assim?
– perguntou secando as lágrimas e tentando não olhar para a platéia que
juntou-se na porta de seu setor.
_ Tu não está
só Aguiar! – Ela se levantou e gritou em altos brados para que todos pudessem
ouvir – Tu não és o único gay nesta repartição, eu também sou e vou assumir
publicamente meu relacionamento com a Tereza da Contadoria! Chega de
hipocrisia. Nós somos normais e temos nosso direito a felicidade! – Todos calaram
por um sufocante momento de surpresa até surgir um burburinho que quase não
permitiu que se ouvissem as palavras do também surpreso Aguiar.
_ Mas Milene!...Eu
só comprei uma calça jeans pra mim, e mandei embrulhar pra presente para o
pessoal pensar que era um presente para uma suposta namorada!
terça-feira, dezembro 18
sexta-feira, dezembro 14
terça-feira, dezembro 11
ADEMIR - 3
Ademir ficou
alguns dias preso em uma redoma de vidro. Doía um pouquinho devido às agulhas
que colocaram em sua cabeça.
Quando
começava a sentir uma sensação estranha na barriga, que depois ele veio
descobrir que era fome, era retirado de sua redoma e entregue ao seio que o
alimentava e o confortava. Com o toque dos lábios e o roçar do corpo, percebeu
que aquela pessoa que lhe dava o peito era sua protetora. Começou a ficar mais
confiante. Fora arrancado de seu mundo, mas não estava sozinho.
Depois de alguns
dias, levaram ele para o local que era a sua casa. Ele não sabia isso, mas
sentia que era assim. O novo mundo que lhe era apresentado era muito diferente
do anterior onde ele era soberano.
Ao chegar a
sua nova casa, foi tratado com muito carinho. Novamente sentiu-se um rei até
chegar os amigos do pai.
_ Então esse é
o cara? – um dedo áspero e cheirando a algo que ele não sabia que era tabaco
tocou seu queixo.
_ Mais ou
menos... – falou Rafael sem querer falar.
_ Como??
_ É cego!
Ademir, em
seus primeiros dias de vida – ainda não tinha a noção de que tinha um pai, até
porque Rafael ficara distante o tempo todo, para desespero de Maria, sua mãe -
não sabia o que era ser cego, mas ao ouvir aquela pessoa que ele ainda não
sabia ser seu pai dizer aquilo, achou que não era uma coisa boa. Em pouco tempo
ele iria aprender que as pessoas às vezes dizem coisas que ficam gravadas a ferro
e fogo na memória de uma criança, mesmo quando ela ainda não sabe o sentido das
palavras, é que a entonação de voz tem a sua própria linguagem, que alguns
sabem decifrar melhor que os outros.
_ Isso
mesmo... Meu filho que deveria ser um novo Pelé é cego! – caiu desolado no
velho sofá da sala enquanto Maria caia em prantos.
Os amigos que
vieram para comemorar o nascimento do filho de Rafael não sabiam o que fazer.
Deveriam confortar o pai decepcionado ou a mãe em prantos? Uma coisa é certa!
Ninguém estava dando a importância que Ademir esperava ter.
O pai, a mãe e
os amigos estavam tão cegos que não viram alguém que estava ali e que não os podia
ver: Ademir.
quarta-feira, dezembro 5
VIRTUAL
Hoje abro o meu facebook
Tu não esta lá
E eu não sei o truque,
Queria te trazer pra mim.
Tu não tá nos meus amigos
_O que será de mim!
Acostumei contigo no Orkut
Recebia mensagens
E tuas postagens
Que entendia como verdades.
Abandonou até
As comunidades
Ora veja que maldade
Simplesmente me deixou
E me deletou.
Que saudade de você
Que falou comigo muitas vezes
Compartilhou as tuas coisas
Mas nem sequer deixou...
Eu te conhecer!
quinta-feira, novembro 22
quarta-feira, novembro 21
ADEMIR - 2
As mãos
plastificadas o depositaram sobre dois macios, suados e fartos seios.
Aquele mundo
só seu ficou para trás. Ele soube naquele instante que não haveria volta. Teria
de encontrar o seu porto seguro e, sem dúvida seria ali naqueles seios macios,
suados e fartos que ele iria se proteger. Estava sedento e foi deles que ele se
fartou. Sentiu-se seguro.
Algum cheiro
ou simplesmente o contato de seus lábios com aqueles seios o fez perceber que
não estava só naquele mundo novo. Aquele ser que o alimentava e o segurava com
tanto carinho era o mesmo ser que lhe deu abrigo até o momento em que fora
arrancado de seu mundo. Sim! Sentiu-se seguro.
Mas logo foi
retirado de sua segurança e foi exposto a várias mãos estranhas. Elas não
tinham o intento de o machucar e ele percebia que não eram para fazer-lhe mal.
Os donos das mãos estranhas estavam certificando-se se estava tudo bem com ele.
Mas não
estava!
Em uma sala
ali próximo, um homem, alto, negro e forte apesar de manco, estava entre a
preocupação e a felicidade. O homem era
Rafael. Vinte e dois anos, motorista e ex-jogador de futebol.
Foi um dia uma
grande revelação do esporte, pronto para despontar, não fosse uma entrada
severa que recebera numa final da segunda divisão que lhe estragou o joelho
para sempre.
Depois de
muitos meses em tratamento, Rafael ouviu do médico a frase que quase acabou com
sua vida...
_Infelizmente
o senhor não poderá mais jogar futebol!
O seu grande
sonho de conquistas que ele acalentava desde menino estava acabado. Não seria
um novo Pelé. Depois de meses de angustias começou uma “carreira” de motorista
de taxi. Mas agora tudo podia mudar. Se ele não podia ser o novo Pelé, o seu
filho, recém, nascido o seria.
Rafael já se
via nos campos treinando o filho para ser o grande “rei da bola”. O que ele não
foi, seu filho seria!
O médico que comandou o parto veio falar com
Rafael e disse-lhe para esperar um momento! O médico respondeu ao afoito pai que
sem dúvida era um menino, mas, devia aguardar mais uns minutinhos antes de ver
o filho. Rafael não era marinheiro de primeira viagem, já tinha duas filhas e
sabia que aquilo não era normal, mas o médico lhe garantiu que não era nada
para se preocupar...
Rafael não se
conteve em ficar ali parado. Desceu correndo pelas escadas e foi ter com seus
amigos e parentes que o aguardavam em frente ao hospital.
_Um menino! Um
menino! Um novo Pelé! Um novo Pelé! – gritava o orgulhoso pai.
Os amigos o
abraçaram e o levaram para um boteco ali em frente para beber em homenagem ao
novo Pelé.
Várias
cervejas foram abertas em homenagem ao grande craque que havia surgido. Rafael
tinha a certeza que seu filho seria uma grande estrela do futebol.
_É um
brasileiro... E brasileiro é boleiro! – bradava Rafael – Deixa o basquete prôs
gringos. Deixa a ginástica prôs russos, nós brasileiros somos do país do
futebol.
Cida a
cunhada, apareceu no boteco e chamou Rafael. Rafael não deu nem bola. Cida
chamou novamente e Rafael foi ter com ela.
_O Doutor quer falar contigo...
_O que foi
cunhada?...
_Não sei
Rafael!... É melhor ir lá falar com ele!...
Rafael tentou
pagar as bebidas, mas os amigos fizeram questão de pagar em homenagem ao grande
craque que veio ao mundo.
Poucos minutos
após, retornou um triste Rafael dizendo:
É cego!... Meu
filho é cego!
quarta-feira, novembro 14
MARAVILHA!!! ESTOU ORGULHOSO PELA NOSSA SECRETARIA MUNICIPAL
DE TRANSITO E TRANSPORTES DE GRAVATAÍ!!!!
Um determinado estabelecimento comercial colocou um
automóvel, para fins de publicidade sobre o passeio público- que o gerente do
estabelecimento diz pertencer este passeio “público” a sua propriedade -, e bem
na esquina do mesmo, exatamente no local onde dá acesso a duas faixas de
seguranças. Quando me manifestei dizendo que estava em local inapropriado, o
educado gerente disse que eu era ignorante por estar reclamando e falou que
deixava ali por que ninguém cumpre lei mesmo, ou seja, pela ótica dele, se
alguém rouba eu posso roubar, e logo ele também, deve ser por aí!
Mas o pior é que quando reclamei para a Secretaria Municipal
de Transito e Transporte – e fica aqui registrado que fui muito bem atendido,
pelos dois funcionários que falaram comigo -, fiquei sabendo que a própria Secretaria AUTORIZOU
a permanência do carro ali, bem em frente às faixas de segurança!
Quando um órgão público que deve zelar pela Lei, autoriza
que se faça o contrário eu fico MUITO ORGULHOSO PELA FORMA COMO É ADMINISTRADA
A NOSSA CIDADE!
Mas, isso não é privilégio desta Administração, na anterior,
reclamei pelo fato de colocarem alimentação de cães na calçada, bem ao lado do
hospital, pois os cães estavam avançando nas pessoas que passavam por ali, fui
informado que a Prefeitura não podia fazer nada, por que eles estavam
alimentando os cães, donde eu logo deduzi que se eu quiser eu posso amarrar um
casal de javali num poste bem em frente a prefeitura e criar os bichinhos ali.
Desde que eu os alimentem, é lógico!
terça-feira, outubro 30
RE-POSTAGEM 23 ou sem tempo e/ou preguiça e/ou inspiração
CONVERSA DE AMIGOS

Joel sentou-se e pediu uma cerveja. Iria tomar só uma e voltar para casa e dormir, amanhã era dia de acordar cedo. Nenhum conhecido no bar. Ficou olhando as pessoas que voltavam pelo calçadão.
_ Joel meu velho... – ouviu – tu por aqui?
_ Edgar? – reconheceu – há quanto tempo cara! - Se abraçaram provando que era há muito tempo mesmo. – senta aí! Vamos tomar uma!
Pediram mais um copo e falaram bobagens como falam amigos que a muito se conhecem. O papo se alongou e veio mais cerveja.
Falaram de futebol, de reminiscências, de política e tudo o mais.
_ Mas e o trabalho? Como ta?
_ Beleza cara! Se melhorar estraga.
_ Ótimo! Eu também não tenho do que me queixar! – falaram sobre mais coisas pueris e veio mais cerveja.
Sempre que alguma mulher bonita entrava, os olhos deles eram roubados para elas e lá vinham piadinhas, até que:
_ E Marta? Como esta a nossa Marta? – perguntou Joel casualmente.
_ Sei lá! Deve estar bem! Nos separamos a uns seis meses. Agora eu quero mais é curtir a vida.
_ Poxa!... Sinto muito cara!
_ Sinta nada cara! A melhor coisa da vida foi à separação. Eu até tinha inveja do amigo!
_ Ora que é isso? Vocês sempre se amaram! A Marta é uma mulher legal e ...
_ É... Vá viver o dia todo com ela pra ver! – acendeu um cigarro – mulher é um porre! – levantou o copo para um brinde.
_ A saúde!
_ Que saúde o que? As mulheres! A pior e melhor coisa do mundo! – deram gargalhadas e tomaram mais uma gelada.
Joel esqueceu que iria voltar cedo pra casa e tomaram mais uma, mais uma, mais uma e mais uma.
_ Joel, tu sabes que sou teu amigo né cara?
_ Ué! Lógico!
_ Eu queria fazer uma pergunta meio... – e sustentou um silêncio que queria dizer: não devo falar, mas quero falar!
_ Fala cara! Sem frescuras!
_ Bom! A Sara? Tu ainda sente algo pela Sara ou é coisa do passado? – Joel mexeu-se na cadeira um pouco incomodado.
_ Posso? – pegou um cigarro de Edgar – O que tu falou mesmo?
_ A Sara?...
_ Ah! Que Sara o que cara? É como a tua Marta, isso é coisa do passado. Tu achas que eu vou ficar pensando em mulher que me separei a mais de um ano? – encheu os dois copos – Mas porque a pergunta?
_ Nada! Curiosidade de amigo. – ergueu o copo – Mais um brinde – soluçou – A amizade!
_ A amizade! – brindaram. Beberam longos goles e ficaram em silêncio. Depois de um longo hiato Joel perguntou:
_ Tu tem visto ela?
_ Quem?
_ A Sara?
_ A Sara? Ah! Não! – novos goles – e tu?
_ Graças a Deus não! Ferreira, trás mais uma aqui pra nós!
Veio mais uma garrafa. Serviram-se.
_ Faz uns quatro meses! – disse Edgar olhando pras unhas.
_ O que?
_ A Sara!
_ O que que tem a Sara? Fala Edgar?
_ Pois é! Faz uns quatro meses que não vejo a Sara!
_ Ah! – pausa – Então vocês se viam?
_ Não!
_ Ué?!
_ Eu a vi há uns quatro meses. Só isso!
_ Éééé?... Só?...
_ Sim! – Beberam a cerveja sem muito conversar.
_ Edgar, fala! – cortou o silêncio pesado que rondava a mesa.
_ Falar o que “Jô”?
_ O que tu ias falar! Do nada tu tiraste a Sara...
_ Bobagem...
_ Então fala!
_ O que?...
_ Essa bobagem!... – Seus olhos se cruzaram. Voltaram a se cruzar e desta vez fitaram-se.
_ Joel! Na verdade eu a encontrei logo depois que me separei.
_ É?
_ Isso! – bebeu um longo gole – Fui num botequim tomar umas e encontrei-a com umas amigas.
_ Hum... – Joel acendeu outro cigarro.
_ Sabe como é quando a gente se separa depois de anos de casado, né?
_ Não! Diga-me...
_ A gente fica feito peixe fora da água! Não conhece mais ninguém e nem sabe o que fazer...
_ Isso é!
_ Pois é! Aí a vi e fui conversar. Ela me apresentou “prum” monte de amigas e ficamos de trova. Dançamos e bebemos todas. A noite foi indo e as amigas foram indo embora e ficamos só nós dois. – apagou o cigarro de cabeça baixa.
Estabeleceu-se mais um longo silêncio na mesa dos dois.
_ Tá! Aí transaram? Foi isso? – perguntou em voz baixa Joel para ninguém ouvir.
_ Desculpa mano! Foi sim! – desviaram os olhares. Encheram os copos com o que restava na garrafa e Joel perguntou com o olhar no copo...
_ E vocês estão bem?
_ Que é isso mano? Eu sou teu amigo.
_ ...
_ Nunca mais nos vimos. Ela disse que mudou de celular e nem me deu o novo e disse que nunca me ligaria. Falou para eu a esquecer e que havia feito tudo como uma forma de revanche!
_ É!... Elas são assim mesmo!
_ Eu não entendi bem esse lance de revanche...
_ Sei lá! Ferreira, trás uma saideira! Joel pediu evitando os olhos de Edgar.
Postado originalmente por Stanis Fialho às quarta-feira, julho 27, 2011
segunda-feira, outubro 15
Continho Miudinho - 9
Rodrigo se apaixonou pela esposa de seu grande amigo
Eduardo. Tentou a muito custo fugir deste sentimento, mas um dia o que ele
sentia ficou maior que sua amizade e furtivamente colocou um bilhete sob o
travesseiro dela dizendo: "Eu te amo meu anjo! Se o sentimento for recíproco, me
encontre amanhã às dezoito horas no Jardim Botânico! Beijos! assinado Rodrigo!”.
Rodrigo teve uma terrível surpresa quando no local e horário
referido, viu Eduardo chegar com um buquê de flores.
Como ele poderia ter imaginado que o travesseiro que ficava
ao lado do criado mudo com uma caixa de lenços umedecidos e um livro de Anne
Rice era o de seu amigo Eduardo?
quinta-feira, outubro 4
terça-feira, outubro 2
(NÃO) ESTILO!
Minha camisa é de brechó
Minha calça é made in china
E ainda por cima
Meu sapato é de dar dó.
Eu não ligo muito pra moda
E isso não me incomoda
Me visto como eu quero
Não pago uma de cara foda.
Eu escuto Nelson, Wando e Caetano
Eu não ligo para as tendências
Roupa para mim é só um pano
Eu não vivo de aparências.
Desde que ela esteja bem lavada
Uso até camisa de banda de rock
Moda é coisa pra mim ultrapassada
Moda pra mim, é coisa de lóki.
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