terça-feira, janeiro 22

PERDA



Seu Getúlio empurrou o prato em silêncio e foi sentar-se também no mesmo silêncio no surrado sofá em frente à televisão. Procurou uma partida de futebol qualquer, e não achando ficou assistindo – ou quase... apenas olhava para a frente em direção ao vídeo sem ver nada – o final do capitulo de alguma novela. D. Esther recolheu os dois pratos sujos com os restos do jantar e o da filha que estava limpo como sempre estava desde o dia em que eles a perderam.
Depositou os sujos no fundo da cuba da pia e guardou o limpo como de costume. D. Esther sabia que o terceiro prato nunca mais seria usado, mas mesmo assim sempre o colocava na mesa, como fazia antes de perder sua filha.
Lavou os dois pratos pensando como seria bom se tivesse três para lavar! O trabalho seria maior, mas ao menos a filha ainda estaria entre eles! Assim que terminou com o segundo, ficou estática a olhar para os pequenos pingos de água que escorriam do prato e fugiam em direção ao ralo e, junto com os pingos de água fugiam também os pingos de lágrimas de seus cansados e sofridos olhos, assim como a filha fugira de suas vidas!
Mesmo o terceiro prato estando limpo, ela o pegou de dentro do armário e colocou embaixo da água que escorria da torneira e o lavou como se preciso fosse. Não era necessário, mas pouco importava, pois ao lavar o terceiro prato há muito não usado, dava-lhe a sensação de que ele também havia sido usado. Enganava-se conscientemente.
Seu Getúlio desviou os olhos que nada viam para ver a atitude que a pobre esposa toda noite fazia. Pensou em mandar ela para de fazer aquilo, mas não o fez! Voltou os seus olhos para continuar a não ver o que antes não estava vendo! Esperava que um dia a esposa fosse se conformar e parar de fingir que não havia perdido – assim como ele - a filha.
Após secar os pratos e os olhos, também sentou-se ao lado do marido em frente a TV e ficou também perdida sem nada ver. Para eles só havia um imenso vácuo que não permitia a eles verem nada, a não ser a falta de sua filha.
Ficariam assim os dois vendo o nada até o momento em que se retirariam para o quarto para dormirem junto com seus pesadelos, não fosse o zumbido da campainha que os acordou daquele sonho acordado.
A campainha feriu não só os ouvidos, mas também o coração de D. Esther! Seu Getúlio baixou o som da TV e dirigiu-se lentamente para a porta, como um gado que vai para o matadouro.
Seu Getúlio abriu a porta já sabendo quem veria! Na varanda, bem abaixo do velho lustre que ele havia instalado anos antes, estava Cleumar com seu gorro preto de sempre e uma jaqueta de couro surrada e totalmente aberta, que deixava aparecer na linha da cintura uma pistola calibre 6.5mm.
_ A Solânge? – falou Cleumar como se não houvesse ninguém a sua frente -. Cleumar estava foragido e desde então comandava o tráfico de drogas no bairro onde eles moravam.
_ Solânge!... – Gritou o pai virando de costas e deixando a porta aberta. Foi sentar para novamente continuar a não ver o que passava na TV. Solânge surgiu correndo dentro de uma mini-saia que mal lhe cabia e jogou-se ao pescoço de Cleumar. Beijou melosamente os grossos lábios dele e já ia fechando a porta quando D. Esther falou com uma voz débil:
_ Solânge... Leva um casaquinho minha filha! Tá frio!
_ Não encha o saco mãe! – respondeu ao fechar bruscamente a porta.
Seu Getúlio desligou a TV e foi dormir, D. Esther ainda ficou alguns minutos chorando em frente à TV desligada...Ela não conseguia se acostumar com a ideia de que havia perdido Solânge, sua única filha!

quarta-feira, dezembro 19

Na Repartição


Aguiar trabalhava no setor de alvarás, com ele tinha mais quatro. Dois homens e duas mulheres. Teixeira, que era o chefe, um bonachão dos seus sessenta anos e muito divertido que comandava o setor. Zeca, rapaz bonito e tido como sedutor e as duas cobiçadas mulheres do “setor de alvarás”, Mila e Milene, não eram irmãs, nem ao menos tinham parentescos. Mila era uma loira do tipo assanhada e apetitosa e que tinha tido casos com vários influentes na prefeitura, já Milene era morena, mais recatada e além de apetitosa era o tipo “mulher de fazer qualquer homem largar a família”. Havia quem contasse que já estivera na área – principalmente o Zeca que afirmava que atuava a muito por ali -, mas prova disso ninguém tinha.
Aguiar destoava do time. Era tímido e quieto. Ao simples fato de falar com uma mulher, suas bochechas ficavam afogueadas e sua voz quase sumia. Aguiar era solteiro e – conforme todos falavam – nunca fora visto com uma mulher – claro que sua mãe e irmã não contavam –. Era do trabalho para a casa, da casa para o trabalho.
Zeca vivia folgando – com o apoio velado de Teixeira - no coitado do Aguiar. Se alguém seria sacaneado, Aguiar era sempre a primeira vitima! Trabalho extra: era prô Aguiar! Contribuinte chato: Aguiar! Fazer café: Aguiar! Se a gozação fosse sobre masculinidade – ou melhor: a falta dela - ou então “pagar vale” com mulher: Lógico! Aguiar!
Aguiar sofria em silêncio e sempre com um disfarçado sorriso entristecido. Em seus sonhos ele se via contando piadas picantes e engraçadas como o Seu Teixeira, ganhando mulheres como o Zeca, transando com Mila no banheiro do setor ou namorando Milene. Mas isso não era para ele – já havia se conformado -, e ia levando sua vida besta e tristonha entre gozações e humilhações.
Eis que chega um determinado “Dia dos Namorados” e surge na fila do ponto um Aguiar bem penteado e de roupa nova. Na mão direita o cartão para registrar a entrada e na esquerda um embrulho de presentes de um vermelho igual as suas bochechas envergonhadas com um laço rosa exuberante como poucos haviam vistos. Reinou um silêncio tumular. Todos esqueceram os gol’s do último jogo, as piadas costumeiras, as fofocas da política e os últimos capítulos das novelas. A atenção de todos estava focada na imagem de Aguiar e seu embrulho vermelho com seu laço rosa.
Aguiar bateu o ponto e foi para o setor de alvarás. Depositou com cuidado o embrulho na sua mesa e sentou para trabalhar. Os companheiros de trabalho não falavam nada, olhavam de soslaio para o Aguiar e seu embrulho. Não fosse a intervenção de Teixeira ninguém trabalharia aquele dia.
Aguiar trabalhava quieto como sempre. Tudo estaria igual aos demais dias, não fosse o fato de ninguém se atrever a se divertir com a cara do coitado como sempre faziam.
Pessoal de outros setores encontravam motivos para irem ao setor de Aguiar para dar uma olhada nele e seu embrulho. Todos pensavam: se Aguiar nunca teve namorada – e todos tinham a certeza que ele devia até ser virgem, virgem até de beijo -, para quem ele comprara aquele presente justamente no Dia dos Namorados?
Aguiar virou o assunto do dia na prefeitura inteira, até o Prefeito ficou sabendo do acontecido, visto que, até ele passou pelo setor de alvarás naquele dia.
Deu meio-dia e todos saíram para o almoço, mas ninguém pensava em fome, o único pensamento era: Quem seria a pessoa que iria receber aquele presente!
Zeca não se conteve e antes que Aguiar fosse para o almoço perguntou:
_ Então Aguiar, vai dar um presente hoje?
_ Sim! – respondeu simplesmente ele.
_ E quem é a felizarda? – não teve como não perguntar.
_ Ué! Hoje é Dia dos namorados...! – respondeu mais rápido que o sangue que subiu por suas bochechas. Aguiar desligou o PC e saiu para o almoço. Todos que de longe olhavam a cena correram para saber da novidade que Zeca por certo teria para contar!
_ Para sua namorada! – Ele respondeu ao grupo que esperavam ansiosamente a resposta. Foi um burburinho só. Mas como? Então o Aguiar tem alguém?
Todos saíram para o almoço, menos Zeca que não se conformava. Então aquele panaca, aquele bobão quase retardado, aquele alienígena social não era o que eles pensavam. Zeca começou a sentir remorso pelos anos a fio em que troçou de Aguiar.
_ Eu achando que o cara era um trouxa completo e não era isso! – se culpava. Pensou em correr ao encontro de Aguiar e se desculpar, e quase o fez, não fosse sua curiosidade maior que a sua culpa.
Zeca olhou para os lados, não havia ninguém. Aproximou-se da mesa de Aguiar e pegou o embrulho vermelho. Correu para o banheiro e sem pensar em nada a não ser em sua curiosidade rasgou o laço e o papel vermelho. Tinha agora em suas mãos uma caixa, abriu e de seu interior tirou uma calça jeans... Uma calça jeans masculina.
_ Mas então o Aguiar realmente é... realmente é gay! – Um contentamento tomou conta de Zeca. Não! Ele não tinha feito nenhuma injustiça – pensava -, o cara era mesmo. Tentou recompor o embrulho, mas não teve como, o papel e o laço estavam totalmente danificados. A princípio ficou apavorado, mas aos poucos sua má índole o encorajou a devolver o presente assim mesmo na mesa de Aguiar.
Zeca correu para o restaurante onde sempre almoçava e tratou de propagar a sua descoberta: _Aguiar é gay! Comprou um presente pro seu namorado, ele mesmo o dissera! A novidade correu como rastilho de pólvora.
Aguiar voltou do almoço e encontrou o embrulho todo desfeito sobre sua mesa. Aquele rubor que lhe era característico tomou conta de sua face. Sentou calado e calado ficou. Nada sentia. Nada via.
Passado o choque ele começou a notar as pessoas espiando, cochichando, falando, rindo e apontando os dedos ou os olhares em sua direção. Mesmo envergonhado e ultrajado tentou passar o resto do turno de forma normal.
Pelos setores e corredores da prefeitura, e até fora dela, o assunto era o mesmo: Aguair, aquele estranho comprou uma calça jeans para dar ao seu namorado. Ele tentou ficar alheio é verdade, mas não conseguiu. Quando o zum-zum-zum chegou ao seu conhecimento ele caiu num choro tremendo de se ouvir os soluços até nas salas mais distantes.
Milene, que de longe olhava piedosa o pobre Aguiar, levantou-se e foi resoluta em direção à mesa do coitado. Junto com seu corpo foram todos os olhares masculinos desejosos e os femininos invejosos. Lá no meio das “rapinas do sofrimento alheio” alguém falou sem muita convicção: Será que a Milena é a namorada de Aguiar?. Alguns cogitaram a idéia, outros nem deram ouvidos.
_ Aguiar! – falou Milene ao sentar-se bem ao lado do choroso Aguiar – Não fica assim! Eles são uns imbecis! Eu te entendo e sei que tu não deves se envergonhar. – Aguiar represou a custo o choro.
_ Mas agora eles terão motivos de sobra pra gozar de mim!
_ Que nada! Enfrente-os com dignidade!
_ Mas como? Serei motivo de chacota pro resto da vida...
_ Que nada! Quer saber de uma coisa! Tu terás em mim uma grande aliada!
_ Como assim? – perguntou secando as lágrimas e tentando não olhar para a platéia que juntou-se na porta de seu setor.
_ Tu não está só Aguiar! – Ela se levantou e gritou em altos brados para que todos pudessem ouvir – Tu não és o único gay nesta repartição, eu também sou e vou assumir publicamente meu relacionamento com a Tereza da Contadoria! Chega de hipocrisia. Nós somos normais e temos nosso direito a felicidade! – Todos calaram por um sufocante momento de surpresa até surgir um burburinho que quase não permitiu que se ouvissem as palavras do também surpreso Aguiar.
_ Mas Milene!...Eu só comprei uma calça jeans pra mim, e mandei embrulhar pra presente para o pessoal pensar que era um presente para uma suposta namorada!

sexta-feira, dezembro 14

Vende-se a Felicidade, com muito uso e em um ótimo estado de graça!
Interessados ligar mais para a própria vida e deixar quieta a dos outros!

terça-feira, dezembro 11


ADEMIR - 3


Ademir ficou alguns dias preso em uma redoma de vidro. Doía um pouquinho devido às agulhas que colocaram em sua cabeça.
Quando começava a sentir uma sensação estranha na barriga, que depois ele veio descobrir que era fome, era retirado de sua redoma e entregue ao seio que o alimentava e o confortava. Com o toque dos lábios e o roçar do corpo, percebeu que aquela pessoa que lhe dava o peito era sua protetora. Começou a ficar mais confiante. Fora arrancado de seu mundo, mas não estava sozinho.
Depois de alguns dias, levaram ele para o local que era a sua casa. Ele não sabia isso, mas sentia que era assim. O novo mundo que lhe era apresentado era muito diferente do anterior onde ele era soberano.
Ao chegar a sua nova casa, foi tratado com muito carinho. Novamente sentiu-se um rei até chegar os amigos do pai.
_ Então esse é o cara? – um dedo áspero e cheirando a algo que ele não sabia que era tabaco tocou seu queixo.
_ Mais ou menos... – falou Rafael sem querer falar.
_ Como??
_ É cego!
Ademir, em seus primeiros dias de vida – ainda não tinha a noção de que tinha um pai, até porque Rafael ficara distante o tempo todo, para desespero de Maria, sua mãe - não sabia o que era ser cego, mas ao ouvir aquela pessoa que ele ainda não sabia ser seu pai dizer aquilo, achou que não era uma coisa boa. Em pouco tempo ele iria aprender que as pessoas às vezes dizem coisas que ficam gravadas a ferro e fogo na memória de uma criança, mesmo quando ela ainda não sabe o sentido das palavras, é que a entonação de voz tem a sua própria linguagem, que alguns sabem decifrar melhor que os outros. 
_ Isso mesmo... Meu filho que deveria ser um novo Pelé é cego! – caiu desolado no velho sofá da sala enquanto Maria caia em prantos.
Os amigos que vieram para comemorar o nascimento do filho de Rafael não sabiam o que fazer. Deveriam confortar o pai decepcionado ou a mãe em prantos? Uma coisa é certa! Ninguém estava dando a importância que Ademir esperava ter.
O pai, a mãe e os amigos estavam tão cegos que não viram alguém que estava ali e que não os podia ver: Ademir.

quarta-feira, dezembro 5


VIRTUAL

Hoje abro o meu facebook
Tu não esta lá
E eu não sei o truque,
Queria te trazer pra mim.
Tu não tá nos meus amigos
_O que será de mim!

Acostumei contigo no Orkut
Recebia mensagens
E tuas postagens
Que entendia como verdades.

Abandonou até
As comunidades
Ora veja que maldade
Simplesmente me deixou
E me deletou.

Que saudade de você
Que falou comigo muitas vezes
Compartilhou as tuas coisas
Mas nem sequer deixou...
Eu te conhecer!

quarta-feira, novembro 21


ADEMIR - 2



As mãos plastificadas o depositaram sobre dois macios, suados e fartos seios.
Aquele mundo só seu ficou para trás. Ele soube naquele instante que não haveria volta. Teria de encontrar o seu porto seguro e, sem dúvida seria ali naqueles seios macios, suados e fartos que ele iria se proteger. Estava sedento e foi deles que ele se fartou. Sentiu-se seguro.
Algum cheiro ou simplesmente o contato de seus lábios com aqueles seios o fez perceber que não estava só naquele mundo novo. Aquele ser que o alimentava e o segurava com tanto carinho era o mesmo ser que lhe deu abrigo até o momento em que fora arrancado de seu mundo. Sim! Sentiu-se seguro.
Mas logo foi retirado de sua segurança e foi exposto a várias mãos estranhas. Elas não tinham o intento de o machucar e ele percebia que não eram para fazer-lhe mal. Os donos das mãos estranhas estavam certificando-se se estava tudo bem com ele.
Mas não estava!
Em uma sala ali próximo, um homem, alto, negro e forte apesar de manco, estava entre a preocupação e a felicidade. O homem era Rafael. Vinte e dois anos, motorista e ex-jogador de futebol.
Foi um dia uma grande revelação do esporte, pronto para despontar, não fosse uma entrada severa que recebera numa final da segunda divisão que lhe estragou o joelho para sempre.
Depois de muitos meses em tratamento, Rafael ouviu do médico a frase que quase acabou com sua vida...
_Infelizmente o senhor não poderá mais jogar futebol!
O seu grande sonho de conquistas que ele acalentava desde menino estava acabado. Não seria um novo Pelé. Depois de meses de angustias começou uma “carreira” de motorista de taxi. Mas agora tudo podia mudar. Se ele não podia ser o novo Pelé, o seu filho, recém, nascido o seria.
Rafael já se via nos campos treinando o filho para ser o grande “rei da bola”. O que ele não foi, seu filho seria!
 O médico que comandou o parto veio falar com Rafael e disse-lhe para esperar um momento! O médico respondeu ao afoito pai que sem dúvida era um menino, mas, devia aguardar mais uns minutinhos antes de ver o filho. Rafael não era marinheiro de primeira viagem, já tinha duas filhas e sabia que aquilo não era normal, mas o médico lhe garantiu que não era nada para se preocupar...
Rafael não se conteve em ficar ali parado. Desceu correndo pelas escadas e foi ter com seus amigos e parentes que o aguardavam em frente ao hospital.
_Um menino! Um menino! Um novo Pelé! Um novo Pelé! – gritava o orgulhoso pai.
Os amigos o abraçaram e o levaram para um boteco ali em frente para beber em homenagem ao novo Pelé.
Várias cervejas foram abertas em homenagem ao grande craque que havia surgido. Rafael tinha a certeza que seu filho seria uma grande estrela do futebol.
_É um brasileiro... E brasileiro é boleiro! – bradava Rafael – Deixa o basquete prôs gringos. Deixa a ginástica prôs russos, nós brasileiros somos do país do futebol.
Cida a cunhada, apareceu no boteco e chamou Rafael. Rafael não deu nem bola. Cida chamou novamente e Rafael foi ter com ela.
_O Doutor quer falar contigo...
_O que foi cunhada?...
_Não sei Rafael!... É melhor ir lá falar com ele!...
Rafael tentou pagar as bebidas, mas os amigos fizeram questão de pagar em homenagem ao grande craque que veio ao mundo.
Poucos minutos após, retornou um triste Rafael dizendo:
É cego!... Meu filho é cego!

quarta-feira, novembro 14


MARAVILHA!!! ESTOU ORGULHOSO PELA NOSSA SECRETARIA MUNICIPAL DE TRANSITO E TRANSPORTES DE GRAVATAÍ!!!!
Um determinado estabelecimento comercial colocou um automóvel, para fins de publicidade sobre o passeio público- que o gerente do estabelecimento diz pertencer este passeio “público” a sua propriedade -, e bem na esquina do mesmo, exatamente no local onde dá acesso a duas faixas de seguranças. Quando me manifestei dizendo que estava em local inapropriado, o educado gerente disse que eu era ignorante por estar reclamando e falou que deixava ali por que ninguém cumpre lei mesmo, ou seja, pela ótica dele, se alguém rouba eu posso roubar, e logo ele também, deve ser por aí!
Mas o pior é que quando reclamei para a Secretaria Municipal de Transito e Transporte – e fica aqui registrado que fui muito bem atendido, pelos dois funcionários que falaram comigo  -, fiquei sabendo que a própria Secretaria AUTORIZOU a permanência do carro ali, bem em frente às faixas de segurança!
Quando um órgão público que deve zelar pela Lei, autoriza que se faça o contrário eu fico MUITO ORGULHOSO PELA FORMA COMO É ADMINISTRADA A NOSSA CIDADE!
Mas, isso não é privilégio desta Administração, na anterior, reclamei pelo fato de colocarem alimentação de cães na calçada, bem ao lado do hospital, pois os cães estavam avançando nas pessoas que passavam por ali, fui informado que a Prefeitura não podia fazer nada, por que eles estavam alimentando os cães, donde eu logo deduzi que se eu quiser eu posso amarrar um casal de javali num poste bem em frente a prefeitura e criar os bichinhos ali. Desde que eu os alimentem, é lógico!

terça-feira, outubro 30


RE-POSTAGEM 23 ou sem tempo e/ou preguiça e/ou inspiração

CONVERSA DE AMIGOS


Joel sentou-se e pediu uma cerveja. Iria tomar só uma e voltar para casa e dormir, amanhã era dia de acordar cedo. Nenhum conhecido no bar. Ficou olhando as pessoas que voltavam pelo calçadão.
_ Joel meu velho... – ouviu – tu por aqui?
_ Edgar? – reconheceu – há quanto tempo cara! - Se abraçaram provando que era há muito tempo mesmo. – senta aí! Vamos tomar uma!
Pediram mais um copo e falaram bobagens como falam amigos que a muito se conhecem. O papo se alongou e veio mais cerveja.
Falaram de futebol, de reminiscências, de política e tudo o mais.
_ Mas e o trabalho? Como ta?
_ Beleza cara! Se melhorar estraga.
_ Ótimo! Eu também não tenho do que me queixar! – falaram sobre mais coisas pueris e veio mais cerveja.
Sempre que alguma mulher bonita entrava, os olhos deles eram roubados para elas e lá vinham piadinhas, até que:
_ E Marta? Como esta a nossa Marta? – perguntou Joel casualmente.
_ Sei lá! Deve estar bem! Nos separamos a uns seis meses. Agora eu quero mais é curtir a vida.
_ Poxa!... Sinto muito cara!
_ Sinta nada cara! A melhor coisa da vida foi à separação. Eu até tinha inveja do amigo!
_ Ora que é isso? Vocês sempre se amaram! A Marta é uma mulher legal e ...
_ É... Vá viver o dia todo com ela pra ver! – acendeu um cigarro – mulher é um porre! – levantou o copo para um brinde.
_ A saúde!
_ Que saúde o que? As mulheres! A pior e melhor coisa do mundo! – deram gargalhadas e tomaram mais uma gelada.
Joel esqueceu que iria voltar cedo pra casa e tomaram mais uma, mais uma, mais uma e mais uma.
_ Joel, tu sabes que sou teu amigo né cara?
_ Ué! Lógico!
_ Eu queria fazer uma pergunta meio... – e sustentou um silêncio que queria dizer: não devo falar, mas quero falar!
_ Fala cara! Sem frescuras!
_ Bom! A Sara? Tu ainda sente algo pela Sara ou é coisa do passado? – Joel mexeu-se na cadeira um pouco incomodado.
_ Posso? – pegou um cigarro de Edgar – O que tu falou mesmo?
_ A Sara?...
_ Ah! Que Sara o que cara? É como a tua Marta, isso é coisa do passado. Tu achas que eu vou ficar pensando em mulher que me separei a mais de um ano? – encheu os dois copos – Mas porque a pergunta?
_ Nada! Curiosidade de amigo. – ergueu o copo – Mais um brinde – soluçou – A amizade!
_ A amizade! – brindaram. Beberam longos goles e ficaram em silêncio. Depois de um longo hiato Joel perguntou:
_ Tu tem visto ela?
_ Quem?
_ A Sara?
_ A Sara? Ah! Não! – novos goles – e tu?
_ Graças a Deus não! Ferreira, trás mais uma aqui pra nós!
Veio mais uma garrafa. Serviram-se.
_ Faz uns quatro meses! – disse Edgar olhando pras unhas.
_ O que?
_ A Sara!
_ O que que tem a Sara? Fala Edgar?
_ Pois é! Faz uns quatro meses que não vejo a Sara!
_ Ah! – pausa – Então vocês se viam?
_ Não!
_ Ué?!
_ Eu a vi há uns quatro meses. Só isso!
_ Éééé?... Só?...
_ Sim! – Beberam a cerveja sem muito conversar.
_ Edgar, fala! – cortou o silêncio pesado que rondava a mesa.
_ Falar o que “Jô”?
_ O que tu ias falar! Do nada tu tiraste a Sara...
_ Bobagem...
_ Então fala!
_ O que?...
_ Essa bobagem!... – Seus olhos se cruzaram. Voltaram a se cruzar e desta vez fitaram-se.
_ Joel! Na verdade eu a encontrei logo depois que me separei.
_ É?
_ Isso! – bebeu um longo gole – Fui num botequim tomar umas e encontrei-a com umas amigas.
_ Hum... – Joel acendeu outro cigarro.
_ Sabe como é quando a gente se separa depois de anos de casado, né?
_ Não! Diga-me...
_ A gente fica feito peixe fora da água! Não conhece mais ninguém e nem sabe o que fazer...
_ Isso é!
_ Pois é! Aí a vi e fui conversar. Ela me apresentou “prum” monte de amigas e ficamos de trova. Dançamos e bebemos todas. A noite foi indo e as amigas foram indo embora e ficamos só nós dois. – apagou o cigarro de cabeça baixa.
Estabeleceu-se mais um longo silêncio na mesa dos dois.
_ Tá! Aí transaram? Foi isso? – perguntou em voz baixa Joel para ninguém ouvir.
_ Desculpa mano! Foi sim! – desviaram os olhares. Encheram os copos com o que restava na garrafa e Joel perguntou com o olhar no copo...
_ E vocês estão bem?
_ Que é isso mano? Eu sou teu amigo.
_ ...
_ Nunca mais nos vimos. Ela disse que mudou de celular e nem me deu o novo e disse que nunca me ligaria. Falou para eu a esquecer e que havia feito tudo como uma forma de revanche!
_ É!... Elas são assim mesmo!
_ Eu não entendi bem esse lance de revanche...
_ Sei lá! Ferreira, trás uma saideira! Joel pediu evitando os olhos de Edgar.

segunda-feira, outubro 15


Continho Miudinho - 9



Rodrigo se apaixonou pela esposa de seu grande amigo Eduardo. Tentou a muito custo fugir deste sentimento, mas um dia o que ele sentia ficou maior que sua amizade e furtivamente colocou um bilhete sob o travesseiro dela dizendo: "Eu te amo meu anjo! Se o sentimento for recíproco, me encontre amanhã às dezoito horas no Jardim Botânico! Beijos! assinado Rodrigo!”.
Rodrigo teve uma terrível surpresa quando no local e horário referido, viu Eduardo chegar com um buquê de flores.
Como ele poderia ter imaginado que o travesseiro que ficava ao lado do criado mudo com uma caixa de lenços umedecidos e um livro de Anne Rice era o de seu amigo Eduardo?

terça-feira, outubro 2


(NÃO) ESTILO!

Minha camisa é de brechó
Minha calça é made in china
E ainda por cima
Meu sapato é de dar dó.

Eu não ligo muito pra moda
E isso não me incomoda
Me visto como eu quero
Não pago uma de cara foda.

Eu escuto Nelson, Wando e Caetano
Eu não ligo para as tendências
Roupa para mim é só um pano
Eu não vivo de aparências.

Desde que ela esteja bem lavada
Uso até camisa de banda de rock
Moda é coisa pra mim ultrapassada
Moda pra mim, é coisa de lóki.