quarta-feira, abril 2

Fernando "Cegueira"



Fernando Gabeira(PV) falou no egocêntrico programa do Jô, que um dos motivos que o levaram a querer ser prefeito de Rio de Janeiro é pelo fato de ele ter acompanhado uma amiga que sofreu um acidente a um hospital da cidade maravilhosa e aí se espantou com o mau atendimento e a falta de macas. Ficou horrorizado com as poucas macas que haviam e que estavam enferrujadas e sem colchões.
Não voto no Rio, mas se votasse não votaria num cara que mora em uma cidade e não conhece nem a realidade do sistema de saúde da cidade em questão.
Se o cara não enxerga a realidade dos hospitais públicos – que ficamos sabendo como estão todos os dias pelos jornais, rádios e TV’s – o que dirá do resto.
É muito ar condicionado e pouco pé no chão.

segunda-feira, março 31

CAPITAL 2008


A capital gaúcha terá três mulheres disputando a prefeitura este ano. E as três no campo da esquerda.
Uma coisa é praticamente certa: Haverá pelo menos uma mulher no segundo turno!
Sei que é muito precipitado, mas vou arriscar um palpite:
No primeiro turno, para capitanear o voto da esquerda e o voto feminino, as três entrarão em confronto. Como sabemos que ambas são boas de briga, a coisa tenderá a esquentar, para deleite do “bom menino” que ficará de fora da briga e disputará a eleição com uma das três.
Claro que para isso tem o segundo turno, onde as três poderão vir com toda a garra e fazer o “bom menino” largar o brinquedinho, mas isso pode correr o risco de não acontecer, se os “chute nas canelas” não se restringirem somente as canelas.
Se valer o “abaixo do pescoço é canela”, poderemos ver o bom menino dar um passeio nas mocinhas.
Tem coisas que depois de quebradas...

segunda-feira, março 24

Tiraram a pinga da pelada


Foi aprovada uma Lei do meu amigo Deputado Estadual Miki Breier, Lei essa que proíbe o consumo de bebidas alcoólicas nos estádios.
Eu não tenho time e nem curto futebol, mas acho que meu amigo mirou mal e a Assembléia atirou pior ainda.
O que gera aquelas batalhas campais e outras atrocidades não é o álcool e sim a dimensão que certas pessoas dão a disputa futebolística.
O público pagante em um GreNal fica em torno de 12 e 18mil, o que é inferior ao público de um Planeta Atlândida que é de 30mil pessoas aproximadamente. No Rock in Rio 3 estavam presentes 250mil pessoas. O Carnaval de Salvador chega a reunir 2milhões foliões.
Nestes eventos é óbvio que as pessoas consomem álcool além de outras coisas mais.
Mas não lembro de uma batalha campal no Rock in Rio ou nos Trios Elétricos. Já no futebol é uma constante: Logo, o que gera essas batalhas não é o álcool e sim o espírito de disputa e de revanchismo que normalmente está presente no futebol.
No “Planeta” e no “Rock in Rio” não estão só pessoas de um mesmo time de futebol . No carnaval bahiano não estão sambando pessoas do mesmo time, e nem por isso eles saem na porrada.
Mas nestes eventos, quase todas as pessoas usam drogas. Principalmente a mais popular e legalizada: O álcool.
Não vemos partidos políticos saindo na porrada no Brasil. Nem religiões fazendo guerras – ( falo em Brasil ).
O que o futebol tem de resolver é o fato de não ter uma existência pacifica.
O problema é uma torcida fundamentalista que vê o torcedor do time adversário como um inimigo que deve ser abatido. Como é feito em alguns paises em nome da religião ou da política.
Se eu gostasse de ir a estádio e beber - ( e beber eu gosto, só não gosto do estádio ) e agora fosse proibido, das duas uma: não iria mais a estádio ou então tomaria todas antes de entrar do estádio.
Ah! Me falaram alguns: Mas tu passa por uma revista e não vai poder levar bebida escondida!
_Olha! Essa revista é uma balela, pois os caras entram com drogas ilícitas que são consumidas livremente e até entram com bombas caseiras...( e antes que alguém queira encher o saco, isso é opinião minha, como tudo o que escrevo, se o blog se chama do stanis é porque a opinião é minha ).
Acompanho desde 2000 o Bar do Argeu ( Gremista ) e o Bar do Gringo ( Colorado ) que são vizinhos, ( e lá não é estádio onde não podem vender bebidas, é um bar onde os caras vão ver o jogo e beber ) e não vejo brigas por causa de times.
Já deu alguma briga? Sim! Mas nunca uma briga da torcida de um bar Gremista com um bar de Colorados. Mas brigas pessoais que muitas vezes não tinha nem haver com o time, mas com coisas pessoais do cotidiano. E mesmo assim são raras, tanto é que quando um bar entra em férias o que está na ativa recebe com todo o prazer e respeito os do bar/time adversário.
Ou seja: ( com todo o respeito ) Tirar o sofá da sala não vai resolver nada...

quarta-feira, março 19

Serraram o Paulo Henrique Amorim


Que o blog é a forma mais livre e independente possível de informação e opinião, não resta dúvida.

O problema é quando o hospedeiro de um determinado blog não concorda com a opinião do blogueiro e defenestra o mesmo.

Para mim isso não acontecia, até Paulo Henrique Amorim ser chutado do IG.

Quem acompanhava o PHA no ig sabe muito bem o porque isso aconteceu.

Passaram a "Serra" no pescoço do cara...

domingo, março 16

ALEGRES JANTARES DE CASAIS



Quando terminar de fazer a caipirinha, tu podias me ajudar a descascar as batatas! Pediu Júlia para Antônio que olhava com um olhar esquecido o fogo no interior da churrasqueira. O fogo sempre exerceu um certo fascínio no homem desde tempos mais imemoriais. Antônio não sabia onde havia escutado aquela frase sobre o fogo, mas filosofava para si como se sua frase fosse. Protestou. Não podia se ocupar com as batatas, pois tinha de espetar a carne. Estava um pouco aborrecido, naquela sexta-feira, a janta seria no apartamento deles. Amanhã terá aquele monte de coisas para limpar e colocar no lugar.
Bem que o pessoal podia chegar! Comentou Júlia com uma lágrima produzida pela cebola que ela cortava. Júlia sabia que quando era churrasco sempre sobrava para ela. Churrasco é comida machista. Os homens ficam em volta do fogo como se eles fossem sacerdotes a cuidar de um poder divino e as mulheres que se ferram na cozinha.
Bateram a porta. Antônio foi abrir. Era Silvio e Cláudia. Antônio não deu muita atenção à chegada do casal, primeiro ele queria ver se Nara, a irmã de Cláudia vinha junto para o churrasco. Sim! O sorriso maroto surgiu por baixo do bigode espesso de Antônio. Entrem...Entrem! Convidava em meio a abraços, beijos, apertos de mãos e olhadas furtivas para Nara que nada parecia perceber.
Não chegou a fechar a porta, pois Zeca e Sandra já entravam com um fardo de latas de cerveja e aquele olhar falso de Sandra que Antônio odiava. Depois dos abraços e beijos, Sandra reparou contrariada que teriam a presença de Nara àquela noite. Devia manter-se em prontidão.
Quando Otávio e Carla chegaram, os homens já estavam na sacada em frente à churrasqueira, cada um com a sua cerveja, somente Antônio continuava na caipira, o que desagradava Júlia. Só faltava ele encher a cara e começar a brigar com Sandra- preocupava-se a esposa-. As mulheres estavam na cozinha. Tomavam com parcimônia suas cervejas. Somente Nara parecia ter uma sede um pouco maior. Falavam de novelas, do trabalho e de alguma fofoca qualquer.
Zeca, olhando para a cozinha cortou Silvio que falava da traição acontecida entre um casal conhecido do grupo para falar: Olhem lá! As mulheres já estão fazendo fofoca! Silvio baixou os olhos para o braseiro e ficou em dúvida: teria Zeca falado aquilo para debochar dele ou ele não havia percebido que eles estavam fazendo o mesmo que elas? Aquele palhaço! Claro que era uma provocação, mas não iria estragar a noite por causa daquele idiota. Com desculpa de ir ao banheiro, foi para a sala escolher um CD. Música! Era isso que estava faltando. Todas as sextas à noite eles ouviam música.
Na cozinha estourou uma rizada geral. Era Nara que contava piadas. Somente Sandra continuava séria – as piadas eram engraçadas, mas como era vulgar ver Nara dizer aquelas coisas e fazer aqueles gestos lascivos-. Antônio com seu avental de churrasqueiro segredou a Cláudio que a cunhada deste estava uma “coisinha”. Cláudio concordou com uma careta que o amigo entendeu que queria dizer “Nem me fala!”. Há coisas entre as pessoas de um mesmo sexo que não é preciso ser pronunciadas, um leve erguer de olhos, uma torção de lábios ou algo que o valha é o suficiente para os iguais se entenderem. Pena que com os do outro sexo as coisas não funcionavam assim. Mesmo com toda a argumentação possível, nunca se chega a um lugar comum.
Zeca estava desistindo de escolher o CD, pois não agüentava mais as mesmas músicas todas as sexta, quando percebeu Nara chegando com um copo vazio. Era a deixa. Encheu o copo dela e começou a conversar sobre amenidades. Os olhos provocantes de Nara o hipnotizavam. Só não ficava os fitando o tempo todo, porque aquelas longas e morenas pernas com pelos dourados raptavam seus olhos a todo o momento. A conversa ficou animada e Zeca não percebia os dois amigos os olharem e fazerem comentários entre rizinhos, fingindo não estarem com inveja. Olha o Zeca - dizia Antônio -. Não vai defender a honra de tua cunhadinha? Ao que Silvio rebatia: O quê? Aquele ali não pega nem dengue! E davam gargalhadas altas como para atrair a atenção de Nara. Ela que viesse ali para a sacada onde havia homem de verdade - concordavam sem saberem o que se passava na cabeça um do outro.
Finalmente escolheram um Zeca Pagodinho. Mal começou os primeiros acordes, Nara largou o copo sobre a mesa de centro e puxou Silvio para dançarem. Silvio não era o que se podia chamar de pé-de-valsa, mas não podia perder aquela chance. Ao sentir o volume dos seios de Nara contra seu peito, decidiu-se: Convenceria a esposa a ir na mesma clínica e pagaria para colocar os mesmos “eme-éles” que sentia contra si. Zeca em seu devaneio não percebia o olhar perigoso que vinha da cozinha - Essa vagabunda agora vai se esfregar no meu marido - reprovava Sandra- . O que queria “essazinha” metendo-se em jantares de casais, se não tinha um marido que fosse caçar onde houvesse solteiros.
Júlia que acabara de aprontar as saladas cochichou no ouvido de Cláudia “que gostava de Nara, mas ela não precisava vir com roupas tão curtas aos jantares de sexta”. Mas a probidade da irmã foi defendida com a afirmação que Júlia quando solteira vestia-se da mesma forma.
Cláudia foi ter com o marido que a chamava. Júlia então voltou à carga dizendo a Sandra que aquilo era falta de respeito, onde já se viu se atirar assim daquele jeito, mas Sandra tentando mostrar despreocupação disse que não era nada, que o marido inclusive não suportava Nara, só estava dançando para não ser mal educado.
Como a dança se prolongava, Sandra convenceu a todos que já era hora de sentarem-se à mesa. Com um olhar de facas, Sandra desencorajou o marido de sentar ao lado de Nara, mas ficou em dúvida o que era pior, ficarem de lado ou frente a frente? Bom! Como já estava decidida não podia baixar a guarda e ficou o tempo todo a procurar um olhar da parte de um deles que fosse correspondido. Zeca deu-se por satisfeito com a dança, não iria provocar a fúria da esposa. A carne chegou em uma fumegante bandeja e puseram-se a jantar.
Como se fosse um protocolo a ser seguido, os homens falavam de futebol, da qualidade da costela e lembravam outros churrascos fantásticos que haviam comparecido. As mulheres falavam da novela, de algo acontecido na casa de alguém ou com o filho de alguém na escola. E assim, aquelas histórias e estórias já há muito conhecidas eram repetidas como se da primeira vez fosse.
Antônio foi buscar mais carne. Desta vez decidiu ir servindo um a um em seus próprios lugares, se ficasse ali na mesa à carne esfriaria, o que era um pecado com uma costela tão maravilhosa. Todos acharam acertada a decisão dele. Júlia seria contra se soubesse que aquilo era apenas uma desculpa para ele chegar por cima dos ombros de Nara e ter uma visão privilegiada do bondoso decote. Mas aquilo não durou muito tempo, pois Antônio percebeu um olhar que o fuzilava vindo de Cláudia em socorro da irmã. Um rubor subiu-lhe a face. Antônio terminou o jantar sem falar muito.
Após o jantar, foram para a sala ouvir música e fumar. Júlia não tirava o olhar repreendedor sobre aquela mocinha que sentava ao chão com as longas pernas cruzadas e a cabeça repousada no joelho da irmã. Júlia achou que era chegada a hora de rivalizar com aquela exibição. Falou que estava muito quente e foi ao dormitório trocar de roupa. Voltou com a mesma camisa, porem amarrada em vez de abotoada e com um pequeno calção de jeans. Antônio ficou contrafeito, aquela não era a melhor maneira dela se vestir na frente de seus amigos.
Com exceção de Nara que estava completamente absorta, brincando com os dedos do pé da irmã, todos perceberam as intenções de Júlia. Se era guerra que queria ela estava pronta. Sentou-se no espaldar do sofá ao lado de Antônio. Sentiu olhares não muito interessados passarem por suas pernas. A conversa continuava normalmente. Disfarçadamente Júlia corria os olhos de suas pernas para as pernas de Nara, viu que a idade tinha lhe tirado um pouco da beleza, não que tivesse as pernas feias, mas as de Nara eram perfeitas. Sentiu-se envergonhada em achar as pernas da outra bonitas. A pretexto de uma dor de cabeça, desculpou-se e disse que iria deitar um pouco. As visitas disseram que iriam embora que não queriam incomodar, mas ela dizia que não era nada, podiam ficar, ainda havia muita cerveja e nem tinham provado o sagú com mousse de maracujá que estava na geladeira.
Júlia foi deitar-se e abafou o choro com o travesseiro. Ficou combinado que provariam a sobremesa e iriam embora. Todos estavam cansados - desculpavam-se -. Zeca que já estava bem embalado fez questão de que a próxima janta de sexta fosse em sua casa. Sandra, fingindo concordar, reafirmou o convite, e para parecer segura de si em relação ao seu casamento pediu que Cláudia não esquecesse de levar Nara junto. Zeca ficou mais contente com o convite que a própria convidada. Terminaram a sobremesa e iam saindo quando Nara protestou. “Não iria embora enquanto estivesse um garfo que fosse sujo ou fora do lugar”. Cláudia concordou mesmo diante aos protestos do dono da casa. Nara como se dona da casa fosse, distribuiu as funções para desgosto de Sandra: Ela lavaria a louça, este recolheria os pratos, copos e talheres, esta varreria o piso, aquela outra secaria e Antônio trataria de organizar as coisas do churrasco.
Finalizada a limpeza de tudo, tomaram uma saideira e despediram-se todos. Antônio fechou a porta e abriu mais uma cerveja, não queria deitar-se tão cedo, ele sabia que a dor de cabeça de Júlia era para acobertar algum descontentamento sobre alguma coisa que a pesada consciência dele não sabia o que era. Bem pelo menos a limpeza estava feita, isso talvez amenizasse a zanga que iria ter de ouvir.
Lá embaixo Zeca viu o carro de Silvio partir com as duas mulheres a ressonarem no banco traseiro. Bem! Na próxima sexta ele e Sandra seriam os anfitriões e ele se esforçaria para impressionar a cunhada de Silvio.
Ao perceber que Sandra o olhava com um olhar muito sério perguntou: “E aí, gostou da noite?”
_Cala a boca! – Ordenou-lhe a esposa entre dentes. Zeca foi todo o caminho para casa quieto pensando no que Antônio havia dito-lhe certa vez:
_Essas nossas jantas são um saco. Nos só as fizemos para não termos de ficar a noite de sexta sozinhos com nossas esposas, “E elas conosco” completou mentalmente a frase do amigo.



Stanis Fialho, 19.11.2007

quinta-feira, março 13

MANHÃ PERFEITA


Originalmente publicado em Revista Evidência de 12/07 com o título "Despertar"

Alfredo despertou lentamente. Abriu os olhos bem devagarzinho. Uma tênue claridade entrava pelas frestas da janela. Com um movimento brusco, livrou-se dos lençóis. Não estava frio, não que estivesse quente também. Era uma temperatura ideal. Assim deveriam ser os dias pensou Alfredo. Nem quente e nem frio. A pessoa podia escolher o que vestir sem ter de exagerar na escolha. O exagero nunca foi uma das extravagâncias dele. Mas e quais seriam suas extravagâncias? Alfredo procurou no fundo da memória e não encontrou nada. Ele sempre fora uma pessoa comedida. Em tudo.
Pensou em tomar banho, mas não tomou. Ficou como estava. Assim de cuecas mesmo, nem chinelos colocou. A forração era suficiente, não precisava de chinelos.
Passou pela sala quase esbarrando no pinheirinho que piscava a um canto e foi para cozinha. Viu sobre a mesa restos de sanduíche de presunto e queijo. Só então lembrou de Cíntia. Ela não estava na cama e havia aquele resto de sanduíche sobre a mesa. Ela devia ter saído muito cedo. Estranho não tê-lo acordado. Também era estranho não ter limpado a mesa. Cíntia era neurótica com limpeza. Às vezes aquilo quase enlouquecia Alfredo. Tudo bem que se queira uma casa organizada e limpa. Mas, tudo tinha limites.
Pegou os restos do sanduíche. Ficou sem saber o que fazer. Não tinha fome. Por fim jogou na lixeira, mas não sem antes lamentar: Quantas pessoas não teriam sequer restos de um sanduíche...
Sobre a geladeira estava a carteira de cigarros e o isqueiro. Era quase que maquinal o hábito de chegar pela manhã na cozinha e ascender um cigarro. Mas não. Hoje não sentiu aquela vontade - seria vontade ou mania? -. Tanto faz! Não fumou e viu que estava bem assim.
Um pingo d’água na torneira da pia o lembrou que não havia lavado nem o rosto. Encaminhou-se para o lavabo. Olhou-se no espelho sobre o lavatório. É! Estava com uma cara boa. Talvez um pouco pálido. Também: Inimigo do sol como ele só vendo. Pôs a língua para fora, esticou umas pequenas rugas que já se pronunciavam nos cantos externos dos olhos. É! Não estava mal.
Abriu a torneira. Com as mãos em forma de conchas levou a água ao rosto. Assim como a temperatura do ambiente a da água também estava nem quente e nem fria. Pensou novamente que assim é que deveria de ser.
Voltou para a sala. Jogou-se no sofá e ficou lá parado contemplando o pinheirinho . Era uma calma como nunca havia sentido. De repente percebeu que o silêncio era um bom companheiro. O silêncio não lhe dizia nada, mas também nada perguntava. Bom amigo o silêncio!
Ele buscou na memória uma outra ocasião em que havia ficado somente ele e o silêncio. Não lembrou. Também de que maneira? Cíntia era uma fábrica de ruídos. Falava o dia inteiro, não deixava um só detalhe de seu dia sem um relatório preciso. E ele – Alfredo – ouvia fingindo interesse. Se não era a fala era o aspirador, ou a maquina de lavar, ou a batedeira, ou a novela ou qualquer outra coisa, contanto que houvesse ruídos. Só hoje Alfredo percebeu: Ela devia amar os ruídos.
Passou-se muito tempo e Alfredo percebeu que não havia aberto as janelas e nem ascendido às luzes, as únicas luzes existentes eram as que piscavam a espera da noite de natal . Mas para que luz? Ele não tava fazendo nada. Se não havia necessidade de luz, para que ascender a luz? Manias estranhas nós temos pensou Alfredo.
Olhou para a TV. Ela estava muda. A última vez que ele havia visto aquela TV assim quietinha foi naquela sexta-feira em que faltou energia por uma noite toda. Ah! Que noite... Cíntia até hoje falava que nunca havia feito daquela maneira. Nem quando eram apenas namorados.
Cíntia? Onde andará Cíntia? Bom!... Deve estar no trabalho! Mas e ele? Não deveria estar no trabalho também?
De repente ouve ruídos no lado externo da porta. É uma chave. Só pode ser Cíntia. Somente os dois têm as chaves da casa. E além do mais os ruídos...
Cíntia entra.
Alfredo sorri e levanta para ir abraçar a esposa, mas ela passa por ele e vai para a cozinha. Alfredo sem entender nada vai atrás. Pede atenção, pergunta o que houve, mas ela nada responde. Ele então percebe que a esposa está chorando. Olha diretamente no rosto de Cíntia e percebe pelo inchaço dos olhos que ela estava chorando há muito tempo.
Alfredo implora para que ela pare e diga-lhe alguma coisa. O que houve? Porque ela chorava daquele jeito? O que ele tinha feito? Ele não entendia, estava tudo tão perfeito. Não sentia frio, nem calor, adorou o silêncio, não foi ao trabalho e não se sentia culpado por isso, e o que era melhor, não havia fumado um cigarro sequer.
Lembrou que nem fome tinha sentido quando viu Cíntia pegar os restos do sanduíche de cima da mesa e ir até a lixeira para jogá-lo fora.
Mas... Ele já havia feito aquilo...
Não fosse a falta de frio, Alfredo sentiria um frio correr pela sua espinha.
Ele agora começava a entender: Ele havia morrido.

domingo, março 9

BOA AÇÃO OU HUMILHAÇÃO?


Estou em casa, - depois de debater com alguns amigos a solução para os problemas de Gravataí, do Estado, do Brasil e do planeta - tomando uma “Original” quando escuto um barulho estranho na rua.
Pensava que era estranho, mas era o barulho feito por um catador na lixeira do prédio que passa por ali todas as noites! Buscava ele ganhar o pão (vida) nos restos da sociedade. Normal! Já ficamos acostumados com isso e, achamos isso normal.
Lembrei de uma biografia que fizeram de Trotsky em que ao chegar em NY foi perguntado o que ele sentia, estando ali: E ele falou que ficou apavorado em ver “em meio a tanta riqueza, alguém procurando na lata de lixo o que comer”. Normal. Isso é o capitalismo. O regime da “democracia”.
Esquecendo Trotsky, vi um brasileiro “fuçando” no lixo. Um brasileiro, esse ser que todos dizem ser um preguiçoso.
Pois é! Esse preguiçoso estava com uma carreta – que normalmente quem puxa é um boi ou um cavalo – catando coisas para vender ou até para usar.
Olhei para o lado e vi um monte de roupas que não uso por não servirem, por não gostar ou até por não querer mesmo! Peguei as que estavam mais a mão e chamei o “preguiçoso” brasileiro e joguei para ele.
Fiz a minha parte de bom cristão – mesmo não sendo um - e de bom cidadão.
Fiquei na janela, tomando minha cerveja e observando o cara.
Ele pôs as roupas no chão e começou dobrá-las com um carinho e uma devoção que fez eu abrir o guarda roupas e procurar mais coisa para dar a ele. Achei calças que nem eu sabia que tinha e que nunca caberiam em mim. Camisas de propaganda que nunca usaria. Lençóis que um solteiro nunca lavaria e comecei a jogar janela a fora.
Cada peça jogada era um sorriso a mais na cara do catador, que fazia com que eu procura-se mais coisa para jogar para ele.
Joguei tudo o que eu não usaria mais. Me senti realizado. Fiz uma boa ação.
Continuei na janela e admirar o zelo com que ele dobrava e guardava aquelas coisas que não me serviam mais.
Aí fudeu!
Vi que meus restos podem ser a felicidade de alguém... O que estava me dando alegria e orgulho tornou-se logo em tristeza.
Que fazer? Voltar a ler Marx?

sexta-feira, janeiro 18

CAMPANHA TUCANA COM DINHEIRO PÚBLICO


As safadezas do PSDB parece que não aTUCANA a grande mídia.

Imaginem se o Governo federal faz uma campanha institucional e coloca uma estrelinha, por menor que seja. o mundo vem abaixo e os virgílios da vida pedem o cassação de Lula ou ameaçam bater na cara do Presidente.

Agora, quando o governo do Estado de São Paulo faz uma campanha publicitária e usa o simbolo do PSDB não há problema algum. Ninguém reclama.

Mas, qualquer um, por mais tapado que seja, percebe que isto que fizerem na Rodovia dos Imigrantes, região metropolitana de São Paulo à Baixada Santista é campanha partidária dos tucanos e do Serra.

E com dinheiro do contribuinte.

segunda-feira, dezembro 31

"Um Dia Sem Mexicanos"


Não que seja um grande filme de humor e nem um grande filme de denúncia, mas vale a pena dar uma conferida no filme "Um Dia Sem Mexicanos" (A Day Without a Mexican), do diretor Sergio Arau.

Tem muitas clichês e tem momentos que até lembra aquelas famigeradas novelas mexicanas que exibe o SBT, mas é bem legal.

Em um determinado dia some todos os chicanos que vivem na Califórnia e começa e se instaurar o caos, afinal de contas, são cerca de 14 milhôes de chicanos que fazem a maioria do serviço braçal na Califórnia.
De uma forma debochada é mostrado o perconceito e a falta de conhecimento de tudo o que está longe do umbigo dos norte americanos

terça-feira, novembro 13

Venda de agregados da construção civil


Está para ser assinado no RS uma Portaria que irá proibir a venda de brita, saibro e areia em metro cúbico, e permitirá somente a venda por peso.
Diz que a medida visa à adequação com a unidade internacional e também para evitar erros nas estatísticas oficiais para os valores de reserva e produção.
Tal Portaria obrigará os comerciantes de tais produtos a terem uma balança aferida pelo Inmetro.
Para as mineradoras e grandes comerciantes tudo bem. Mas como ficará aqueles pequenos estabelecimentos que ficam nos bairros, e que muitas vezes vendem em pequenas quantidades para pequenas reformas em residências?
Claro que terão condições de aferir a venda de meio metro cúbico. Mas e para cargas grandes? terão condições financeiras e até de espaço físico para tanto?
Impedir que o mau comerciante passe a perna no consumidor não irá acontecer, pois tanto ele pode colocar um pouco a menos na carga como fraudar uma balança fiscalizada, além do mais, as grandes cargas não são levadas para casa pelo comprador, e sim o comercinte se encarrega de entregar no local escolhido, e nesse vai e vem pode "sumir" alguns quilinhos do produto e o comprador nem irá perceber.
Outro detalhe importante: Terão os comerciantes de areia um secador para a areia? Pois sabemos que o estoque - quase sempre - fica a céu aberto, e uma areia molhada pesa muito mais que uma areia seca.
Alguém tem dúvida de quem vai acabar pagando o pato???

quinta-feira, novembro 1

ADULTÉRIO


Que maravilha, e esses senhores são do século XXI


Vejam só o que diz o ilustre Jurista Washington de Barros Monteiro, em seu Curso de Direito Civil (Volume 2, Direito de Família, página 117):
"... do ponto de vista puramente psicológico, torna-se sem dúvida mais grave o adultério da mulher. Quase sempre, a infidelidade no homem é fruto de capricho passageiro ou de um desejo momentâneo. Seu deslize não afeta de modo algum o amor pela mulher. O adultério desta, ao réves, vem demonstrar que se acham definitivamente rotos os laços afetivos que a prendiam ao marido e irremediavelmente comprometida a estabelecida estabilidade do lar. “
“ Para o homem, escreve Somersen Maugham, uma ligação passageira não tem significação sentimental ao passo que para mulher tem. Além disso, os filhos adulterinos que a mulher venha a ter, ficarão necessariamente ao cargo do marido, o que agrava IMORALIDADE, enquanto os filhos do marido com a amante jamais estarão sob os cuidados da esposa. Por outras palavras, o adultério da mulher transfere para o marido o encargo e alimentar prole alheia, ao passo que não terá essa conseqüência o adultério do marido. Por isso, a sociedade encara de modo mais severo o adultério da primeira."

quarta-feira, outubro 31

Comanda



Foi aprovado pela Assembléia Legislativa, o projeto de Lei de autotia do deputado José Sperotto (DEM), que acaba com a cobrança de multa em bares e boates em caso de perda da famosa "comanda" por parte dos clientes.
Nada mais certo do que isto, pois quem tem a obrigação de controlar o que é consumido é a casa e não o cliente.

Se será cobrado algo a mais, é problema do cliente que não teve interesse de controlar o seu gasto ou marcou bobeira e perdeu a "comanda".

O projeto ainda terá de ter o aval da Tia Yeda Crusius.

Mas para falar a verdade isso nada importa, pois querem criar a Lei Seca e fechar os bares as 10 horas, e convenhamos, quem é que perde a "comanda" antes da meia noite... Ic! Ic!

domingo, setembro 30

PESQUISA RBS ESCAMOTEIA


A RBS sempre se supera. Quando a gente pensa que eles já fizeram todas as falcatruas possíveis eles aparecem com outra.
Pesquisa RBS para a prefeitura de Porto Alegre:
Na pesquisa induzida eles colocam os “possíveis” candidatos na sucessão municipal da capital. Quem é os candidatos indicados na pesquisa como sendo os do PT? Maria do Rosário e Rosseto.
Mas e Olívio? Não será Olívio um possível e forte candidato a sucessão de Fogaça? E Tarso? Não tem Tarso, também as mesmas chances? E Raul Pont? Não seria Raul um possível candidato? Estranho que os candidatos mais fortes do PT – ao menos em minha opinião – estão fora do leque de possibilidades da pesquisa da RBS.
Para piorar ainda mais, aquela pergunta que sempre inicia as pesquisas de intenção de votos, que é: Se a eleição fosse hoje em que você votaria para... não existe na pesquisa.
Não existe ou eles não divulgaram os resultados dessa pergunta. Porque sem dúvida Olívio, Tarso e Pont seriam muito lembrados na pesquisa, e Fogaça não despontaria na primeira colocação.
É bem possível, numa pergunta destas o PT ficar em primeiro e segundo. Não só por mérito dele mas, também pelo fracasso do desgoverno Fogaça.

sábado, junho 23

Pariu, e quem pagou?


Recebi por e-mail esta coluna do Claudio Humberto, não sei se será novidade, eu não tinha conhecimento. Aí vai:


Tava jogando sinuca O caso Miriam Dutra - Jornalista Claudio Humberto A jornalista Mirian Dutra, da Rede Globo, retorna do exterior na quarta-feira dia 30 de maio 2007. Ainda não se sabe se ela vai contar o porquê do recato e do silêncio nos 12 anos do seu exílio - a maior parte do tempo na Espanha.
Revendo meus arquivos, encontrei: -Há alguns anos foi realizado no Fórum da Cidade do Rio de Janeiro o seminário "DEMOCRACIA, IMPRENSA E JUDICIÁRIO" promovido pela Escola de Magistratura do Rio de Janeiro. Eis um registro: "O assunto que rendeu mais controvérsia no Seminário foi a forma como a imprensa brasileira era condescendente com o, então, Presidente da República "FHC" ... A questão entrou em pauta quando um jurista citou como exemplo de Conivência jornalística o romance do presidente Fernando Henrique Cardoso com a jornalista da TV Globo Miriam Dutra. Muitos advogados presentes ao evento não sabiam do fato e reagiram com surpresa e indignação quando um jornalista afirmou que toda a imprensa brasileira sabia disso. E naqueles oito anos de governo ninguém tocou no assunto. (por que será, não é?). Muito antes de ser presidente, Fernando Henrique sempre foi um conhecido garanhão da política brasileira. As mulheres sempre ficaram encantadas com o seu charme e sua pose de estadista. Em Brasília, o escritório de FHC também era utilizado como garçoniére, para usar uma expressão da geração dele.. Era no escritório-garçoniére que o então candidato à Presidência da República mantinha encontros com uma de suas amantes, a correspondente da TV Globo em Brasília Miriam Dutra. Quando FHC cresceu nas pesquisas para presidente, a ambiciosa jornalista, pensando no seu futuro pessoal e profissional aplicou aquele velho golpe que louras oxigenadas costumam dar em pagodeiros e jogadores de futebol. Deu uma "chave" em FHC e engravidou. A jornalista passou a carregar um furo de reportagem em seu próprio ventre. Um filho daquele que seria o próximo presidente da República do Brasil. Ao saber que a amante estava grávida, Fernando Henrique entrou em pânico. Afinal, como diria o outro Fernando, aquilo era nitroglicerina pura. Mas a mídia nacional ficava calada. FHC tentou convencer a amante a fazer um aborto, riu na cara dele. A mulher não ia jogar fora o seu pé de meia, sua caderneta de poupança... Foi aí que entrou em ação a operação abafa. Como ela era correspondente da Globo, imediatamente foi transferida para a Espanha, com um salário milionário, (quem será que financiava tudo isso?) sem obrigação de fazer nada. Apenas ficar calada e quietinha, ganhando seus milhões e cuidando do filho do presidente. (outro enganador). Atualmente a jornalista Miriam Dutra vive na Espanha, com o filho caçula do presidente. Uma funcionária do jornalismo global diz que às vezes ela liga para o Brasil a fim de fazer exigências, tratando a todos como se fossem seus empregados. "Ela se comporta como se fosse a verdadeira primeira dama!" Vejamos o que diz Kika Martins a respeito do caso: "Tomás Dutra Schmidt, filho não assumido de Fernando Henrique Cardoso e Miriam Dutra Schmidt (a Miriam Dutra, ex-repórter do Jornal Nacional em Brasília), nasceu no dia 26 de setembro de 1991, conforme certidão de nascimento do Cartório Marcelo Ribas (Brasília - DF). Vive hoje com sua mãe e tia em um dos mais caros e sofisticados bairros da Europa, em Barcelona na Espanha. Agora se vocês querem saber como isso nunca foi notícia na grande imprensa, leiam Caros Amigos - ano IV número 37 - abril de 2000. A matéria é assinada por Palmério Dória e outros. O título é: "Um fato jornalístico". A pergunta é quanto custou este silêncio?.
A portaria do Ministério da Fazenda 04/1994, por exemplo, que isenta todos os meios de comunicação "e sua cadeia produtiva" da CPMF [Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira] é só um começo de conversa.
E o Proer da Mídia no final do ano 2000 custou US$ 3 bilhões ou US$ 6 bilhões, um ajuste de contrato. Agora bom mesmo é procurar no Siafi o quanto foi efetivamente gasto em propaganda no Orçamento Federal de 1994 a 2002". Alguém topa fazer isso? Bom, acho que a conivência está, em parte, explicada. Mas que custou caro pra todos nós, isso é verdade. É por essa e por outras que a contribuição provisória (CPMF) foi reajustada no governo FHC: para cobrir isenções providenciais. Até parece que todos nós, brasileiros, somos pais dessa criança. E agora reaparece na Mídia outra criança despesa escandalosa... cujo Pai é o Presidente do Senado Renan Calheiros.
Quem paga tudo isso????
A quem interessa tantos escândalos e corrupções??????????????? Enquanto a mídia pega a sua grana olha só que bacana o que me aconteceu:
"Estava jogando sinuca, uma nega maluca me apareceu, vinha com o filho no colo dizendo pro povo que o filho era meu. Toma que o filho é seu, meu senhor, toma que Deus lhe deu."
O nosso cancioneiro popular sempre esteve a frente dos fatos, não?
Com $$$$$$ de quem????!!!!